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RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR

Vídeo mostra desembargador de MT indo contra próprio entendimento após advogado “prever” condenação

Magistrado é alvo de representação disciplinar aonde advogado de Rondonópolis primeiro acusou-o de graves desvios funcionais e depois desistiu da ação alegando que Marcos Machado é um humanista
Julgamento da 1ª Câmara Criminal do TJMT aonde atua o desembargador Marcos Machado

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Vídeo obtido pelo Isso É Notícia mostra o momento em que o desembargador Marcos Machado, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, aparece admitindo votar contra seu próprio entendimento apenas pelo fato de o advogado da parte apelante ter dito durante sustentação oral que o magistrado já tinha posição formada sobre o caso.

“Eu ia absolver, mas o doutor já disse que eu tenho posição formada, que naturalmente não precisa reconhecer, então eu vou mudar de ideia”, disse o desembargador, durante julgamento de uma apelação.

As declarações do magistrado sugerem que ele condenou o cliente do advogado não com base nas provas dos autos mas em retaliação pela tentativa do advogado de “prever” o seu voto.

Machado é alvo de uma reclamação disciplinar movida pelo advogado Onorio Gonçalves da Silva Junior, de Rondonópolis-MT, que afirmou ao CNJ que “a conduta do Reclamado [Marcos Machado] não é só desproporcional e indevida, é afrontosa a qualquer sistema juridico legal do mundo (…) A conduta do Reclamado fere vários artigos da LOMAN, fere o Código de Ética da Magistratura Nacional, fere a Constituição, o Código de Processo Penal, os Tratados Internacionais de Direitos Humanos, fere o bom senso, fere o senso comum”.

O caso foi revelado, nesta quarta-feira (11), com exclusividade, pelo Isso É Notícia.

LEIA MAIS: CNJ apura conduta de desembargador de MT que mudou voto porque advogado disse que ele já tinha posição formada

O corregedor nacional de Justiça considerou os fato passíveis de apuração e pediu para que Marcos Machado prestasse informações em 15 dias sobre os fatos.

Dias depois, o advogado reclamante mudou de ideia e requereu a desistência da ação contra o magistrado, alegando que “uma fala fora de contexto não pode servir para questionar uma carreira dedicada ao direito e a justiça”.

E ainda classificou o desembargador Marcos Machado como um “humanista”.

O pedido de desistência da reclamação disciplinar ainda não foi apreciado pelo corregedor nacional de Justiça.

Em agosto de 2023, Marcos Machado concorreu a uma das duas vagas de ministro do Superior Tribunal de Justiça abertas à época. Mas, segundo o site Conjur, não recebeu nenhum voto em nenhum dos três escrutíneos realizados pelo STJ.

Ainda fazem parte da 1ª Câmara Criminal do TJMT os desembargadores Orlando Perri e Paulo da Cunha.

Confira o vídeo do julgamento:

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