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JOAO BATISTA DE OLIVEIRA

A Dominação Invisível

O grande desafio do nosso tempo talvez não seja a falta de liberdade
JOÃO BATISTA OLIVEIRA

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Muito antes da internet dominar nossas vidas, eu já tinha a percepção de que a forma de exercer poder sobre as pessoas estava mudando. Nas décadas de 1970 e 1980, acompanhando atentamente a influência que grandes veículos de comunicação, especialmente a revista Veja, exerciam sobre a opinião pública, percebi que o controle deixava de ser apenas físico, institucional ou militar para tornar-se cada vez mais sutil, psicológico, cultural e informacional.

A tecnologia trouxe benefícios extraordinários para a humanidade, mas também ampliou a capacidade de influenciar comportamentos

Hoje, essa percepção parece ainda mais evidente.

Vivemos conectados vinte e quatro horas por dia. Nossos hábitos são monitorados, nossas preferências são registradas, nossos medos são estudados e nossas emoções frequentemente se transformam em combustível para sistemas que disputam nossa atenção. A tecnologia trouxe benefícios extraordinários para a humanidade, mas também ampliou a capacidade de influenciar comportamentos em uma escala jamais vista.

O mecanismo mais eficiente de controle não é aquele que obriga. É aquele que faz a pessoa acreditar que escolheu livremente aquilo que, na prática, foi conduzida a escolher.

As redes sociais, os algoritmos, a publicidade personalizada, a polarização política e a disputa permanente pela atenção mostram como a influência pode ser exercida de maneira quase imperceptível. Não se trata de afirmar que exista uma única organização comandando tudo ou um plano secreto universal, mas de reconhecer que diversos atores, governos, empresas, grupos econômicos, meios de comunicação e plataformas digitais possuem hoje ferramentas capazes de moldar opiniões e comportamentos.

O grande desafio do nosso tempo talvez não seja a falta de liberdade, mas a dificuldade de perceber quando nossas escolhas estão sendo influenciadas.

Muitos acreditam que indignação permanente e revolta constante são formas de resistência. Entretanto, quando essas emoções passam a dominar o indivíduo, elas podem apenas alimentar o ciclo de conflito, fortalecer a polarização e beneficiar exatamente os sistemas que vivem da atenção e do engajamento.

A verdadeira liberdade exige algo mais profundo: pensamento crítico, serenidade, capacidade de questionar todas as narrativas, inclusive aquelas com as quais já concordamos. Exige disposição para ouvir, comparar informações, reconhecer dúvidas e não aceitar conclusões apenas porque confirmam nossas convicções.

Nenhum sistema é mais forte do que uma sociedade formada por cidadãos conscientes, capazes de pensar por si mesmos.

Talvez a maior revolução dos próximos anos não seja tecnológica nem política. Será intelectual e moral. A capacidade de preservar a autonomia da própria consciência poderá se tornar o bem mais valioso de uma época em que a informação circula em velocidade inédita e a influência se tornou quase invisível.

A liberdade não desaparece de uma vez. Muitas vezes, ela se enfraquece silenciosamente, à medida que deixamos de questionar, de refletir e de exercer o nosso próprio julgamento.

É por isso que continuo acreditando no mesmo princípio que me acompanha há décadas, o maior instrumento de resistência continua sendo uma mente livre, crítica e consciente.

 

João Batista de Oliveira é ex secretário de governo e comunicação municipal, gestão Mauro Mendes, ex-secretário de governo estadual gestão Blairo Maggi.

*Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do Isso É Notícia*

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