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NA MIRA DA PF

Barranco cita Virginia e filhos e acusa governo Mauro de “organização criminosa”

Deputado acusa gestão do ex-governador de montar estrutura sofisticada para movimentação de recursos
O deputado estadual Valdir Barranco

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O deputado estadual Valdir Barranco (PT) acusou, nesta quarta-feira (12.08), a gestão do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) de ter instalado uma “organização criminosa” dentro do Palácio Paiaguás. Ao comentar as investigações da Polícia Federal envolvendo o acordo do Governo de Mato Grosso com a Oi, o petista afirmou ainda que as apurações devem avançar e atingir outros casos.

“Esse ex-governo do Mauro Mendes instalou no centro do Palácio Paiaguás uma organização criminosa que vai ficar aos poucos sendo conhecida e que, se nós no passado achávamos que havia corrupção no Estado de Mato Grosso, vamos considerar como batedores de carteira”, disparou Barranco em entrevista à imprensa.

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As declarações são acusações feitas pelo parlamentar no contexto de investigação em andamento e não representam conclusão da Polícia Federal ou condenação dos citados.

Segundo Barranco, as movimentações descritas na investigação revelariam, em sua avaliação, uma estrutura sofisticada para fazer recursos públicos passarem por fundos até chegarem a pessoas próximas ao núcleo político investigado.

“O que é descrito na decisão do Flávio Dino e pela Polícia Federal é bem claro, uma organização criminosa com uma arquitetura muito bem desenhada, muito bem trabalhada, que dá até trabalho e, para quem é leigo, tem dificuldade de compreender como é que esse dinheiro sai do público, vai passando para fundos e vai chegando às famílias deles, às pessoas mais próximas deles”, declarou.

Virginia e filhos

Durante a entrevista, Barranco também citou a ex-primeira-dama Virginia Mendes e os filhos dela com Mauro Mendes ao falar dos fundos mencionados na investigação.

“Nós vemos, por exemplo, dona Virginia Mendes, uma mulher que se propaga como quase uma santa. E ela está, não só ela, mas colocou os filhos, os filhos, todos eles, até menor de idade, dentro desses fundos. E os demais que são próximos ao ex-governador”, afirmou.

O deputado classificou a estrutura investigada como uma “sofisticada arquitetura”. A participação de pessoas em fundos ou estruturas financeiras, isoladamente, não comprova prática criminosa, e as responsabilidades individuais dependem das conclusões das investigações e da Justiça.

“Vão ser revelados”

Barranco também afirmou acreditar que o caso envolvendo a Oi não será o último a ser investigado e projetou novas operações relacionadas a contratos e obras públicas em Mato Grosso.

“A Oi não é o único caso. Nós vamos ver muito mais esquemas de desvio de dinheiro em obras públicas aqui no Estado de Mato Grosso que vão ser revelados aos poucos. Agora, nessa operação e em outras que virão”, disse.

O petista afirmou que a análise do material apreendido pela Polícia Federal poderá levar a novos desdobramentos.

“Tenho certeza de que, a partir da busca e apreensão e agora do estudo dessas provas que foram apreendidas, esperem, nós teremos muitas outras operações com relação a essa, muitas outras fases”, declarou.

R$ 308 milhões

Barranco também citou R$ 308 milhões ao criticar o destino que, segundo ele, teria sido dado a recursos públicos. O parlamentar comparou o montante com as necessidades da população nas áreas de saúde, educação e segurança pública.

“Eu fiz uma conta sobre o que daria para fazer com R$ 308 milhões que foram saqueados dos cofres públicos e foram enriquecer essas pessoas, enquanto a população de Mato Grosso continua sofrendo nas filas, precisando de cirurgias”, afirmou.

O deputado citou como exemplo um idoso de 84 anos que, conforme seu relato, estaria há seis anos aguardando uma cirurgia em Comodoro. Barranco também mencionou a falta de vagas em creches e criticou a segurança pública do Estado.

“As pessoas precisam de escola, as mães precisam de creche, não têm creche para os seus filhos. O sistema de segurança pública falido no Estado”, disse.

Segundo Barranco, o montante poderia ser utilizado para ampliar os investimentos em serviços públicos.

“A segurança pública daria para investir muito para melhorá-la e a gente vê esse recurso indo para o bolso, enriquecer essas pessoas”, acusou.

PF E STF

Barranco ainda sustentou que suas críticas estão baseadas nos elementos que motivaram a investigação da Polícia Federal e as medidas judiciais determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“E não venha dizer que é conversa, porque teve uma investigação da Polícia Federal, de especialistas, de peritos, que levou a Procuradoria-Geral da República, que representou com a robustez das provas e que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal […] a tomar essa decisão”, declarou.

Questionado se a complexidade das operações financeiras poderia dificultar a compreensão do caso pela sociedade, Barranco afirmou que a população já teria entendido a gravidade das suspeitas.

“Já captou. A população é inteligente. Não precisa explicar os fundos complexos e a engenharia. Teve operação da Polícia Federal e, nessa operação, eles já compreenderam que teve corrupção”, concluiu.

As declarações de Barranco sobre organização criminosa, corrupção, desvio de recursos e envolvimento de terceiros constituem acusações do deputado. As investigações estão em andamento e não há, nesse contexto, condenação definitiva dos mencionados.

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