Laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) aponta que o servidor público da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), Cleston Celestino Batista, morreu por intoxicação em um episódio classificado pela Polícia Civil como suicídio.
Cleston era servidor efetivo da SES e ocupava o cargo de coordenador de Assistência Técnico e Suporte a Usuários de TI [Tecnologia da informação], com salário de R$ 24,7 mil brutos por mês.
Segundo o relatório da Politec, Cleston foi encontrado, sem vida, no dia 29 de março, dentro de seu carro na garagem de sua casa.
O profissional teria comprado uma mangueira plástica, a conectou ao escapamento e a interligou ao interior do veículo.
Ele deixou quatro cartas de despedidas para seus familiares e uma carta aberta para amigos.
Nos documentos escritos e assinados de punho próprio, ele cita que desilidiu-se com a vida e que não era mais feliz, mesmo com sua esposa e filhos, demonstrando um perfil de depressão grave.
Bom ambiente de trabalho
Na carta aberta intitulada “Desabafo”, Cleston cita que passou em quatro concursos públicos, tinha uma vída estável, demonstra relação de amor e carinho com seus familiares, incluindo esposa, filhos e enteados.
Ele citou orgulho de suas duas filhas, dois enteados gentis e educados, pais dedicados, amorosos e dois irmãos espetaculares.
O servidor também citou que tinha um bom ambiente e colegas de trabalho.
“[…] tenho um bom ambiente de trabalho, faço o que gosto, tenho ótimos colegas de trabalho, enfim, a vida deveria ser perfeita. Mas está longe disso”, diz trecho da carta deixada pelo servidor a qual Isso É Notícia teve.
O servidor cita, no entanto, que seus estudos e seu trabalho o colocaram numa bolha, “onde fiquei isolado, anestesiado da realidade do mundo: as guerras, a miséria, a fome e o abandono social, as injustiças, a degradação do ser humano, a destruição do ecosistema da nossa vida no planeta”.
Além dos bilhetes, Cleston também deixou uma declaração de próprio punho isentando qualquer pessoa de participação ou auxílio no suicídio. Ele contou que, para despistar a esposa, teria dado a ela sem que ela soubesse um comprimido de um remédio anti-alérgico para que o suicídio não fosse frustrado.
Quando foi encontrado dentro do carro, já estava sem vida.
A Polícia não identificou nenhum sinal de crime ou participação de outra pessoa nos fatos.





















