O Financial Times afirmou que o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL), ameaça prejudicar a pré-candidatura presidencial de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O título do artigo publicado pelo jornal britânico é “The Bolsonaro film threatening to sink his son’s election bid” (“O filme de Bolsonaro que ameaça afundar a candidatura de seu filho”, em tradução livre).
Segundo o texto, a produção, feita em inglês e estrelada por atores norte-americanos, foi planejada para coincidir com a campanha de Flávio ao Planalto. O senador tenta ocupar o espaço político do pai, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.
O FT afirma, no entanto, que a cinebiografia “desce para uma comédia de erros” antes mesmo da estreia. O motivo seria a revelação de que Flávio negociou milhões de dólares para financiar o projeto com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por suspeita de fraude no colapso da instituição.
O jornal afirma que o caso colocou o principal adversário de Lula no centro de um escândalo político em Brasília. Flávio nega irregularidades. Segundo o senador, ele conheceu Vorcaro antes de as suspeitas contra o empresário se tornarem públicas e não ofereceu favores em troca dos recursos.
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A pressão aumentou depois que Flávio admitiu ter visitado Vorcaro no fim de 2025, pouco depois de o empresário deixar a prisão com tornozeleira eletrônica. O senador disse que foi encontrá-lo para encerrar o assunto e que teria buscado outro investidor se soubesse da gravidade da situação.
O caso veio à tona depois que o Intercept Brasil publicou que Flávio havia negociado um compromisso de US$ 24 milhões para o filme. O site também divulgou um áudio em que o senador cobra pagamentos atrasados. Depois da publicação, Flávio confirmou que Vorcaro havia investido US$ 12 milhões em um fundo ligado ao projeto.
A produtora do filme havia dito inicialmente que a obra não recebeu “nem um centavo” do empresário. Depois, o produtor-executivo, o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que não tem o nome citado no texto, mas é identificado como um “congressista bolsonarista”, recuou e declarou que se referia à ausência de relação jurídica direta com Vorcaro ou com o Master.
O FT afirma que a reação de Flávio desagradou aliados. O comentarista Rodrigo Constantino, citado pelo jornal, disse ser “inaceitável” tratar o público “como idiota” e criticou o que chamou de atitude “amadora e irresponsável” do senador, dos irmãos e do entorno da família.
A reportagem também cita o impacto eleitoral. Antes das revelações, pesquisas mostravam Flávio empatado ou à frente de Lula. O primeiro levantamento divulgado depois do caso, da AtlasIntel, mostrou Lula com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% de Flávio. A equipe jurídica do senador contestou a pesquisa na Justiça Eleitoral.
O jornal afirma que a permanência de Flávio na disputa deve depender de Jair Bolsonaro, ainda tratado como o principal líder da direita brasileira. O texto também diz que o orçamento de “Dark Horse” supera o de grandes produções recentes do cinema nacional.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh, o filme tem Jim Caviezel no papel de Bolsonaro. O roteiro vazado, datado de outubro de 2025, inclui temas religiosos, mensagens antissistema, a facada sofrida por Bolsonaro na campanha de 2018 e elementos ficcionais. O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon disse ao FT que pretende divulgar a produção nos Estados Unidos.




















