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UNIÃO BRASIL E PP

Júlio cita acordo que libera ‘traição eleitoral’ em Federação

Segundo ele, tais lideranças terão liberdade para apoiá-lo, caso se confirme a candidatura própria da Federação União Progressista (União Brasil e PP)
O deputado estadual Júlio Campos (União) - Foto: TV Vila Real

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A possibilidade de o União Brasil lançar o senador Jayme Campos como candidato ao governo de Mato Grosso em 2026 não deverá provocar uma divisão formal na legenda. Pelo menos essa é a avaliação do deputado estadual Júlio Campos (União), que chancelaria eventuais dissidências de filiados favoráveis à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) .

Segundo ele, tais lideranças terão liberdade para apoiá-lo, caso se confirme a candidatura própria da Federação União Progressista (União Brasil e PP). A declaração foi dada em meio ao acirramento da disputa interna entre o grupo que defende nome próprio ao Palácio Paiaguás e a ala alinhada ao ex-governador Mauro Mendes (União), principal articulador da pré-candidatura de Pivetta.

“Antes de chegar a um racha do União Brasil, nós temos que submeter à apreciação do resultado da convenção do União Brasil ao Partido Progressista, que é nosso federado junto. Ontem, conversando com grandes líderes do PP e com o próprio presidente Nilson Leitão, foi confirmado que, caso o União Brasil defenda candidatura própria, não haverá nenhuma contestação por parte dos progressistas”, afirmou nesta quarta-feira (8).

Segundo o parlamentar, já existe um entendimento entre as lideranças partidárias para permitir que eventuais dissidentes apoiem Pivetta sem sofrer qualquer tipo de sanção política. “Já há um pré-entendimento de que, caso esse grupo de possíveis dissidentes da candidatura própria do Jayme Campos queira apoiar o nosso candidato republicano, o Otaviano Pivetta, não haveria nenhum problema. Será liberado”, declarou.

Na avaliação de Júlio Campos, a falta de unanimidade será uma característica das eleições de 2026 e não uma exclusividade do União Brasil. “Os partidos não vão conseguir consenso geral. O União Brasil também poderá ter alguns dissidentes.”    

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Disputa pelo comando do União  

As declarações ocorrem em um momento de crescente disputa interna no União Brasil sobre os rumos da sucessão estadual. Conforme mostrou o Gazeta Digital, Jayme Campos intensificou nas últimas semanas as articulações para viabilizar sua candidatura ao governo e passou a defender publicamente que o União Brasil apresente um nome próprio na eleição de 2026.

O senador argumenta que a legenda possui musculatura política suficiente para disputar o Palácio Paiaguás e que a decisão deve ser tomada internamente antes de qualquer composição com outras siglas. Do outro lado está o grupo liderado por Mauro Mendes. Embora não dispute o governo, o ex-governador trabalha para consolidar a candidatura de seu vice, Otaviano Pivetta, considerado seu sucessor político.

Nos bastidores, Mendes tem defendido que o União Brasil mantenha a aliança construída desde 2022, preservando a base governista e fortalecendo o projeto de continuidade da atual administração. O embate expõe duas estratégias distintas dentro do maior partido de Mato Grosso. Enquanto Jayme aposta no protagonismo eleitoral da legenda, Mauro avalia que a manutenção da aliança com Pivetta oferece maior competitividade ao grupo político.

Precedente de 2020  

Para sustentar o argumento de que a convivência entre projetos diferentes não representa um rompimento, Júlio Campos recorreu a um episódio da eleição suplementar ao Senado, realizada em 2020 após a cassação da então senadora Selma Arruda. Naquele pleito, o então DEM (partido que posteriormente se fundiu ao PSL para formar o União Brasil) lançou a candidatura do ex-senador Nilson Leitão que era filiado ao PSDB. Júlio Campos foi escolhido como primeiro suplente da chapa. Ao mesmo tempo, o então governador Mauro Mendes recebeu autorização da direção partidária para apoiar a candidatura de Carlos Fávaro (PSD), que acabou eleito senador.

“Isso já teve na eleição suplementar, logo após a cassação do mandato da Selma Arruda. O nosso partido ficou apoiando o Nilson Leitão e indicou o meu nome para primeiro suplente, e o governador Mauro Mendes foi liberado para apoiar o então candidato Carlos Fávaro, que hoje é senador da República”, lembrou.

Ao resgatar esse precedente, Júlio Campos sinaliza que o União Brasil poderá repetir em 2026 uma estratégia de convivência entre alas distintas, permitindo que lideranças apoiem candidatos diferentes ao governo sem que isso represente uma ruptura formal da legenda.

A declaração também evidencia que a disputa entre Jayme Campos e Mauro Mendes tende a permanecer concentrada no campo político e nas instâncias partidárias, sem impedir que ambos continuem dividindo o mesmo partido até a definição oficial do projeto eleitoral.

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