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RENATO DE PAIVA

Do patriarcado ao Red Pill

A maioria incentiva os homens a criticar ideias de igualdade das mulheres
Renato de Paiva Pereira

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Na minha opinião, a Bíblia não é muito generosa com as mulheres. Seus textos, principalmente os do Velho Testamento, as colocam sob o jugo do homem. Outros livros religiosos, como o Alcorão e os Vedas, seguem esta mesma tendência.

O fato é que estes livros sagrados retratam a posição social da mulher no mundo antigo

No Antigo Testamento judaico/cristão, o homem normalmente aparece em situação hierarquicamente superior. Eva foi criada depois de Adão como sua “auxiliadora” e a narrativa diz que, enganada pela serpente, seria a responsável pela introdução do pecado na Terra.

Mesmo no Novo Testamento, cujos primeiros livros começam a ser escritos por volta dos anos 40, aparecem citações como “O marido é o cabeça da mulher.” “As mulheres estejam caladas nas reuniões, não entendendo, em casa pergunte aos maridos”. O apóstolo Paulo afirma “não permito que as mulheres ensinem nas igrejas”.

O Alcorão também estabelece diferenças entre homens e mulheres, dando àqueles uma posição extremamente vantajosa, chegando ao ponto de determinar que a herança dos filhos seja o dobro da das filhas.

Nos Vedas (textos sagrados do hinduísmo) a mulher deve estar sujeita ao pai quando criança; ao marido quando adulta; aos filhos quando viúva.

O fato é que estes livros sagrados, seguidos por mais da metade da população mundial (judeus/cristãos; muçulmanos e hinduístas) retratam a posição social da mulher no mundo antigo. O agravante é que estes textos transformam em ordem divina o que era um costume social, o que para os crentes, legitima a supremacia masculina.

E assim, diminuídas pelos textos sagrados, as mulheres saíram em busca de uma posição social justa no processo civilizatório. Não foi fácil, pois estavam na última fila em uma corrida totalmente desigual. Mas elas, não se prendendo às dificuldades de igualar o jogo, pisaram fundo no acelerador, enquanto os homens tentavam administrar a vantagem do momento.

A corrida continua e elas já buscam a liderança, com chances reais de vencer.

Hoje são maioria nas universidades, destacam-se nas artes, ocupam grandes espaços nos empregos mais disputados, lideram nas empresas e são profissionais liberais que nada devem aos homens.

Mas, muitos homens inconformados com a perda da posição, começam a criar movimentos e confrarias para reaver o antigo prestígio. Assim nasceu o Red Pill. Na internet, o termo passou a designar um conjunto bastante heterogêneo de comunidades masculinas, que afirmam revelar “a verdade” sobre as relações entre homens e mulheres e sobre a sociedade.

Há diversos grupos deles, mas a maioria incentiva os homens a desenvolver força física, acumular bens e a criticar ideias de igualdade das mulheres.

Outro movimento é o Farol e Forja, que congrega cristãos brasileiros com o objetivo principal de formar homens segundo valores que a Bíblia Sagrada ensina. Este movimento brasileiro foi criado pelo ator carola Juliano Cazarré, que prega a masculinidade e a liderança masculina.

Deduzo, lembrando ser este um artigo de opinião, que o artista não se conforma com o progresso social das mulheres e quer enquadrá-las novamente aos rígidos textos religiosos, de que muitas se libertaram há bem pouco tempo.

 

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor.

*Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do Isso É Notícia*

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