Duelo em Mato Grosso. A Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas, o Ministério Público Estadual, a Ordem dos Advogados do Brasil e a mídia corporativa parecem sempre agir “pianinho” em sua relação com o atual governador de Mato Grosso. Mas há algumas vozes que não se calam, que esperneiam, que, como diz Torquato Neto, desafinam o coro dos contentes.
O advogado, ex-procurador da República e ex-governador Zé Pedro Taques (sem partido, mas próximo do #PSB), se transformou em uma espécie de “fiscal do bolsonarista boquirroto eventualmente no poder” e voltou a criticar o Mauro Mendes (União) pelo discurso que MM insiste em fazer em favor da pena de morte. Aparentemente para atrair o gado bolsonarista, já que Mauro tem interesse em disputar vaga no Senado, em 2026 – e essa lhe parece ser a tática mais esperta de conseguir votos neste Estado tido como “extremamente conservador” em se tratando da pauta de costumes. Explorando o conservadorismo dos mato-grossenses, pregando contra gays, lésbicas, reforçando a misoginia e combatendo o direito das mulheres ao aborto livre, hoje já consagrado em todos os países civilizados, e manipulando a religião como ópio de parcelas expressivas de nosso povo, é que José Medeiros, Coronel Assis, Janaina Riva, Coronel Fernanda, Rafael Ranali e até a vereadora Samanta Iris, esposa do patético prefeito de Cuiabá, trabalham para ganhar ou manter mandato em Brasília e surfar nas mordomias do bolsonarismo.
Desta vez, Zé Pedro criticou a análise “hipócrita” que o mandatário mato-grossense fez, depois de passear pelo Japão, com relação à questão da #violência no Brasil. Zé Pedro se referia ao fato de Mauro, no seu arroubo punitivista, comparar a guerra entre Irã e Israel com o crescimento da violência no Brasil e achar de defender que, além dos assassinatos promovidos pelos criminosos, o Estado também tem que se capacitar como matador de homens e mulheres, capacidade que até aqui tem sido refutada pela legislação brasileira.
“Disse que lá tem pena de morte, e aqui reina a ‘hipocrisia’. Mas será que no Japão, país que ele cita, contrabando de mercúrio é crime grave? Pergunto, porque quem respondeu por isso foi justamente o filho dele”, escreveu Taques no Instagram. Ele se referia ao empresário Luiz Antonio Mendes, cuja mineradora da qual é sócio, em Mato Grosso, fora multada em R$ 4,5 milhões pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (#Ibama) por uso irregular de mercúrio na extração de ouro.
E as investigações da Policia Federal sobre o possível envolvimento do filho pródigo de MM com a garimpagem ilegal de ouro tem custado, pelo que se divulgou, até agora, o recolhimento do seu passaporte e a proibição de que possa viajar para fora do Brasil, por decisão da Justiça Federal. Sobre essa violência ambiental nenhuma palavra do atual e eventual governante bolsonarista de Mato Grosso, segundo destaca Zé Pedro Taques.
O que devemos recordar é que Mauro foi ao extremo da ousadia, ao processar o jornalista Pablo Rodrigo, de A Gazeta, pelo pretenso “crime” de informar que a Polícia Federal estava investigando Luiz Mendes e seu possível envolvimento com a máfia do mercúrio ilegal – e o filho do governador de fato estava sendo investigado , como a própria PF publicamente informou.
Em sua arremetida virulenta contra Pablo Rodrigo, MM ingressou com processo em que cobrou indenização de nada menos que 600 mil reais, alegando que os fatos verdadeiros divulgados pelo jornalista de A Gazeta e confirmados pela PF seriam fake news. Aguarda-se pronunciamento final da Justiça mato-grossense quanto a este assédio escandaloso contra um profissional da imprensa que só exercitou suas responsabilidades de manter informada a sociedade mato-grossense. Um pouco mais de descontrole e, quem sabe, MM, além dos 600 mil reais, talvez pedisse pena de morte para Pablo Rodrigo por divulgar fatos que não agradam ao mandatário mato-grossense que parece, como nas comédias farsescas, ter o rei na barriga. Lá no Oriente Médio punição desse tipo contra jornalistas também são noticiadas.
Voltemos ao Zé Pedro. O ex-governador lembrou também que, apesar do discurso truculento de MM, que virou defensor da pena de morte, Mato Grosso, governado (desgovernado?) pelo bolsonarista, se mantém entre os estados mais violentos do país, dominado por facções, e “Mauro Mendes terceiriza a culpa. Finge que o problema é a lei, e não a omissão do próprio Governo”.”Quer responsabilizar o pobre, o pequeno. Mas, fecha os olhos para os crimes dos poderosos. Isso tem nome: hipocrisia”, argumentou Zé Pedro.
Enquanto Taques faz crítica, Mauro Mendes se cala sobre as críticas de Taques, críticas que a mídia corporativa bem paga faz questão de esconder. Não seria ótimo, nesta atual conjuntura, promover um debate entre Mauro e Zé Pedro? Aprofundar esta discussão sobre a violência que interessa tanto à sociedade? Quem se habilita?
ENOCK CAVALCANTI, 72, é jornalista e editor do blogue PAGINA DO ENOCK, que edita a partir de Cuiabá, Mato Grosso, desde o ano de 2009.
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